quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um Salto

O louco da cidade não quer mais viver. - Louco da Cidade - Blues Etílicos

Chove forte lá fora, há muito tempo que eu não via cair chuva assim, a minha vontade é passar pelo portão deste edifício, subir a rua e começar caminhar sem rumo algum, deixando a chuva e o vento atravessarem meu corpo, este corpo que mal me sustenta. Por algum motivo de força maior, não estou lá, mas estou aqui, escrevendo que queria estar. Estranho!
Estranhos estes meus sonhos que me fazem continuar e lutar por algo, mas que ao mesmo tempo me faz chorar, me sentir triste, melancólico.
Quando a chuva passar, e daí sobrar dela só o vento, forte e frio, e as gotas d’água escorrendo das folhas das árvores, irei até a sacada com menos da metade de uma garrafa de uísque, acabarei com ela, pensando sempre em me jogar pro outro lado, quem sabe eu não possa voar e então me libertar dessa gaiola que aprisiona e ignora minhas idéias e opiniões como se eu fosse apenas um subordinado escravo, predestinado a fazer tudo, exatamente tudo o que eles bem entenderem, como se eu fosse um discípulo e tivesse que abandonar sonhos, planos, amigos pra seguir aos passos de um “mestre” que confuso, nem mesmo sabe pra que seguir e pede ao pai: “se possível passe de mim esse cálice”.
Por mim, ficaria aqui escrevendo até acabar o lápis ou as folhas do caderno, mas o vazio, o ódio e a revolta me toma, é tão grande que estampam em meu rosto lágrimas, lágrimas de raiva, tristeza e dor, lágrimas que invadem o papel, borrando a escrita, tornando um auto-retrato perfeito e fiel do meu eu, o meu eu borrado. Como se não bastasse, aquela velha dor de estômago está aqui bem presente, companheira das horas difíceis, ela não me abandona, é como se algo lá dentro fosse mordendo e acabando em segundos com cada canto possível. Eu espero ter coragem pra me jogar pro outro lado daquela sacada qualquer dia desses, colocarei fim em todas as minhas dores e aflições num golpe só. Parece egoísmo, e eu até sei que há pessoas em situações piores que a minha, mas meu vazio interno é maior que qualquer necessidade externa, eu já cansei de buscar e não encontrar preenchimento. E logo eu acabo de vez com o vazio, com o ódio, com a tristeza, com a dor e com tudo o mais, apenas num salto.


Felipe Oliveira

Um comentário:

  1. Com certeza é isso aí, a coisa mais importante é nunca parar de sonhar, pode ser sendo um lixeiro, ou um astronauta, sem o sonho e desejo não existe realização e o mundo não evoluí, de acordo totalmente...em cada palavra dita pelo Felipe e ainda mais queria reforçar usando dois trechos de duas música:

    "Não vivemos em um Mundo Branco ou preto!
    Chega de histórias, chega de tormento,
    O que for fazer da vida faça por amor!
    Realize seus sonhos seja ele qual for"

    "Conheça um Mundo onde tudo é possível,
    Faça de você o mais incrível,
    Não se arrependa do que fez,
    Por isso cante, chore, sorria,
    Mais nunca se arrependa outra vez"

    Bruno Soares

    ResponderExcluir