quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Verdades Que se Partem

Não, não foi a vírgula que você me disse e que não gostei que me chateou, afinal, o mundo vive me dizendo virgulas que não gosto, aliás, são tantas que chegam a ser frases inteiras, um texto inteiro talvez, e no entanto, continuo seguindo, sempre seguindo, e seguindo, e seguindo sem saber pra onde, o que é mais bonito, não acha? Não é lindo seguir e seguir sem saber a que lugar isso vai te levar? E andar cansa tanto, venho percebendo isso, vejo em meu corpo os hematomas de tanto andar, e andar, e andar... Sinto meu corpo fadigado, minha mente cansada, meu coração batendo cada vez mais fraco, meu corpo está tombando, já não me sustenta... Quero sumir, pra um lugar qualquer, e viver somente comigo mesmo, eu e eu, não ter que me importar com família, amigos, amores, paixões, não quero mais, não quero mais nada disso, me jogar numa floresta imensa e me perder e deixar meu corpo morrer aos poucos.
Por enquanto, estou vivo, estou aqui sentado na frente da tela de um computador, olhando pra dentro de mim e vendo o tamanho do nada que vai ser formando, é tão grande, tão grande, por enquanto o nada está só lá dentro, mas ele cresce e cresce com uma velocidade enorme e logo estará exposto pra quem quiser ver, por enquanto ainda posso esconder este nada de todos.
Minhas músicas não me consolam mais, não tenho prazer em olhar o violão, não vejo mais prazer em abrir a boca e cantarolar as músicas do meu ídolo maior, minhas palavras não são mais facas afiadas que fere a quem me fere, hoje elas são facas afiadas que fere a mim mesmo, e dói, aliás, nem sei se dói mesmo, estou anestesiado agora, a fadiga do meu corpo cansado de seguir sem saber onde está indo é maior do que esta dor.
Estou indo, sempre indo, um dia chego no meio do nada e deixo meu corpo se acabar, como uma lesma que aos poucos vai sendo corroída pelo sal e se derrete no chão.
Lindo isso, não? Ahaha


Felipe Oliveira


Borrei a gravura na parede com borro de café,
Nem sei mais por onde seguem os meus pés
Fraco e cansado, mas sempre seguindo.
Esquivo-me de mim mesmo
Minto ao mundo, mostrando os dentes
Finjo alegria, sempre sorrindo.
Minto a mim também
Quando finjo que está tudo bem.
Mas a minha verdadeira arte
É esconder em todas as mentiras
Minhas verdades que se partem.


Felipe Oliveira

4 comentários:

  1. Ás vezes você acha que é um nada, mas quando volta a sonhar, sabe que é uma pessoa grandiosa e maravilhosa! E as pessoas quando olham fundo nos seus olhos, podem enxergar a alma linda que tem.
    Eu te amo!

    ResponderExcluir
  2. Mas estou sempre sonhando, oras, em momento nenhum deixo de sonhar, mas sonhar não é o bastante. É estranho quando a gente sente um anceio, uma vontade de fazer tudo o mais rápido possivel e pra isso a gente tem que contar com a participação de outras pessoas e essas pessoas te decepcionam e você vê que está só e daí, se vejo que estou só, então, é melhor mesmo eu ir pro meio do nada, qual a diferença de ficar só no meio de todo mundo e ficar só no meio do nada?

    ResponderExcluir
  3. Sim, anSeio, odeio o português, uma hora o S sozinho tem som de Z, outra hora ele tem som de C pooorra! :D

    ResponderExcluir
  4. Acontece que você não está só, nunca está só. E se quer se entregar pra algo ruim, como você diz: ir pro meio do nada e deixar o corpo virar pó. (algo assim) Está deixando seus sonhos pra trás, e desistindo de caminhar, ou seja, parando de sonhar.

    ResponderExcluir